15.5.09

Espera

Descobri a certeza em meio a uma fúria incerta.
Espero você no meu salão arrumado, com flores à mão
e sentimentos à pele.

Descobri a garganta engasgada, o coração apertado
as pernas trêmulas e revi os medos pueris.

E aí me vi como começamos, de cabeça virada para o céu
conversando sobre amenidades e esperando a coragem chegar.

Engasguei com as minhas palavras e adicionei uma confissão
a lista de coisas inconfessáveis que já te falei.

- Não me peça para ficar longe de você. Não assim.

E vi no seu semblante a dúvida, sua cabeça pesada. Achei que,
por não ver mais seus olhos tristes e encontrar nos seus lábios
um sorriso doce, talvez aquilo fosse um bom presságio.

E tratei de dar mais uma varridinha no salão e arrumar mais uns quadros
para que, por via das dúvidas, se você decidisse ficar que aquilo lhe fosse ainda mais agradável.

- Não conte em segundos, conte em dias.

E sem querer você me condenou a suspiros poéticos, a espera interminável e a procurar formas de expressar aquilo que sinto, ainda que de forma velada, para não pressionar você.

Por mais que eu tente, você se materializa nos meus sonhos e me vejo deitado com você, olhando as estrelas, assim como começamos - e falando amenindades até a coragem chegar.

A espera me dói como uma faca enfiada no meu coração e o sangue escorrendo pelo meu corpo.