8.5.12

A maior lua de nossas vidas


Vamos logo, te apronta, que hoje é dia de lua. É a maior de todos, dizem. É, grandona mesmo. Não, não, parece que dessa vez é sério, não é papo furado, o cara da Nasa deu a entrevista e disse. Há 18 anos não tem uma lua dessas, vamos lá, te apronta logo, mas coloca uma roupa leve, nada de calça nem sapatos, vamos à praia meu bem, ver a lua nascer e, quem sabe, até se pôr, vou levar o meu melhor vinho, um cabernet souvigon antigo, daquela safra, bem caro, lembra dele? Ah, também vou com um merlot chileno, mais simples e, no caminho, compro um vinho doce, barato, desses que mulher gosta e que dá muita dor de cabeça no outro dia. Não, amor, relaxa, a gente vai de carro naquela praia deserta, lembra? Já arrumei tudo tá? Não vou ficar bêbado, vai dar para eu dirigir, confia em mim tá?  Ah e não se esquece de pegar o violão, a gente pode cantar músicas, ou criar músicas, ou fazer a nossa própria trilha sonora lá, é, isso, botar em prática essas aulas que estamos temos, não esquece viu? Hoje é dia de lua e a lua é dos amantes, não somos amantes? É, eu sei que somos namorados, mas amante é muito mais legal e divertido, tem aquele quê de aventura, aquela coisa misteriosa, não é legal? Não, não meu bem, eu não tenho uma amante, você sabe... Quer dizer, minha amante é você e sempre foi você, acho que você sabe disso, já conversamos sobre isso. Não, nunca te traí. Tá, tá bom, esquece essa história de amante e te apronta logo que jajá passo aí, vamos passar a noite juntos, eu, você, a praia, o vinho, a lua grande, cheia, 30% mais brilhosa heim, foi o que o cara da NASA disse na TV, eu vi! E quem sabe daí, sei lá, a gente faz aqueles planos para o futuro, ter filho sabe, uma casa na praia, ou no campo, ou na cidade... Você não quer ter filho? Ahh, não, sem essa, vamos ter um só, pode ser menino ou menina, não importa, pô, ele podia ter essa chatice racional tua, misturado com o meu coração meloso, ele seria imbatível, conquistaria o coração de todos com essa mistura, e também, sei lá, podíamos ter um cachorrinho pra fazer companhia, porque filho único é muito solitário... tá, tá bom, to sonhando demais... é que, sabe, gosto de você né e não consigo me imaginar no futuro com outra pessoa. Tá, ok, beleza, meloso demais, grudento demais, melhor parar senão você enjoa e acaba sem querer ir pra praia comigo, sem filhos e sem casa no campo. Drama? Não, não é drama, você que sempre... Aff, ok, esquece. Esquece, desculpa. Vai, te arruma logo heim e nada de calça, nem sapato. Em 10 minutos to aí e não esquece o violão. Te prepara, que vou levar o vinho e a gente vai ver a maior lua de nossas vidas.  

13.3.12

Esse jeito
torto
de mostrar
que te gosto
é apenas
um golpe de charme
para não te dizer
a verdade,
o óbvio
mas te digo
agora
nesses versos toscos
"linda,
você sabe:
eu te adoro"

15.2.12

O amor é essencialmente impulsivo.

13.1.12

Despedida

Ela ficou com meu livro do Chico,
palavras, mensagens e sonhos não vividos.
Deve ter levado alguma dor.
E um pedaço (grande) de mim.

18.6.11

25.4.11

Defeito

Perdoe
não ser
aquilo
que teus olhos
tanto me pedem;

Sou defeito.
Insegurança
e tristeza.

17.4.11

Nas sextas, não te quero.
Aos sábados, te suporto.
No domingo, te amo.

19.2.11

E quis
naquele momento
transformar o corpo dela
branco e sinuoso,
ardente e belo
em versos de um poema
que traduzisse
o sublime
e o encantamento
que, suspensos no ar,
fizeram
daquele momento
único
e perfeito.

16.2.11

Sou sentimento que corrói por dentro.

Fogo que consome entranhas, destroi o fígado, rins, pulmão. Cada pedaço d'alma consumido, reduzido a cinzas pelo fogo que sinto. Coração revolto. Taquicardia.

Por dentro choro, grito, esperneio. Sou sentimento puro. Mar revolto. Lágrimas que caem copiosamente. Palavras de amor engasgadas, que fecham a minha garganta, paralisam a minha respiração.

Amo um amor interno, construído por mim. Um castelo de solidão. Só reago. Sinto essa dor sozinho. Não demonstro, não gesticulo. O corpo é frio, paralítico, tal um cadáver.

Silencio, as palavras me faltam a boca. Não tenho coragem.

Eu te amo(ei). E você nunca soube.