25.10.08

Ela apareceu dançando. Estava linda. Luzes amarelas brilhavam e a batucada guiada por um apito fazia todo mundo dançar. Ela estava linda e sem ele. Faz seis meses que estou sem ela, exatamente hoje. Estamos em um dos lugares onde tudo começou. Ela dançando sem ele. E eu chorando por dentro. Queria dizer alguma coisa, dizer, dizer, dizer, puxá-la e beijá-la, acordar desse pesadelo. Ela continuava dançando. Perderia o meu orgulho, a minha honra, falaria tudo, me entregaria por completo de novo, ficaria de joelhos naquele chão de pedras em frente dela. Experimentaria o abismo do infinito por ela. Ela continuava dançando e meu coração não agüentava mais. Ia se soltar. Se libertar. Tomar as rédeas. Fui covarde, quis ir embora. Mas a dor nos desperta uma sensação sadomasoquista, queria senti-la, ver até aonde a visão dela me machucaria. E senti. Covardemente senti. Fui embora com versos entalados na garganta.