22.5.08

Tormenta

minhas certezas
viraram incertezas
ela passou
e destruiu tudo o que
viu pela frente,
envenenou meu sangue
com seus doces lábios,
arruinou os meus conceitos
apenas ao me olhar.
Fez-me experimentar o abismo
da perdição completa
com o moreno de sua pele
e o formato de seu corpo.
O torpor do seu sorisso
embriagou-me
e fez-me despencar
cego, surdo e mudo
sob seus belos pés;
rasguei as minhas
mais íntimas confidências
no escuro da nossa
nua e calorosa intimidade;
Tomou a longos goles
o que restava de minh'alma
deixando-me sedento.
e me abrigou no calor
de sua tempesatade
apenas quando ainda
lhe fui útil. Então
descartou-me ao relento
no meio de um mar em fúria
de sentimentos e paradoxos
sozinho e, pior, ainda
sem me recuperar da embriaguez
gerada. E deixou-me apenas
a caneta, para escrever-lhe poemas
sobre a força desta tormenta.