4.6.06

Lição(?)

- O amor deveria ser canino - argumentou a loira de olhos castanhos, ao ser perguntada sobre o segredo do amor.

Indignado, o homem de olhos cor de céu, disse:

- Canino? você é doida? por que canino?

A loira dos olhos castanhos, olhou aquele céu curioso que se abria diante dela e examinava-a como se ela acabasse de proferir uma heresia. Com paciência, respondeu:

- Claro! o amor canino tem o tesouro que apenas pouquíssimos amores humanos tem.

Ao ouvir tal declaração, o jovem de olhos cor de céu fez aquela cara de quem estava comendo e não estava gostando. Parou um pouco para pensar e tentar entender tal afirmação, mas não via que tesouro era esse. O que o amor dos cães, meros animais irracionais, teria que apenas poucos amores humanos têm? seria a fidelidade? não, a fidelidade não é, em si, um tesouro, é uma consequência. O que então? os seus olhos cor de céu fizeram uma expressão de dúvida e de um pouquinho de desgosto, afinal induzir que um animal possa ser, em um aspecto tão importante, mais virtuoso que o ser humano; é - no mínimo - uma esquívoco muito grande.

Ela, com seus cabelos de sol, olhava e ria dentro de si da ignorância daquele seu novo parceiro. Curioso, sim, isso podia se dizer dele, mas inteligente ou racional, não. Era daquelas pessoas com potencial para um dia ser inteligente, mas no momento era apenas mais um que pensava e agia da mesma forma dos outros tantos que existem nesse nosso mundo. Esperou pacientemente o desfecho da reação do seu parceiro, ele fez menção de ir embora, apesar de inconsiente e ela assistiu aquilo com um sorriso paciente. Ao fim daquele show de expressões típicas de alguém que está a ouvir algo rídiculo, ela resolveu dar a sua cartada final:

- Os cães são cúmplices. Não importa o que você faça, o que você seja ou o que você pensa, eles sempre estarão do seu lado sem perguntar porquê e sem se preocupar com nada. E enquanto houver isso, entre nós, a nossa paixão pode até mesmo terminar, mas a nossa amizade será eterna.