2.4.06

Dança da Solidão

Dançavam aquela música. Ele com ela, no torpor daquele momento, apenas dançando e seguindo aquelas notas. Ele sentia nela toda aquela tristeza escondida, toda aquela solidão reprimida, todo aquele amor esquecido. Ele era apenas um vazio que estava sendo preenchido por outro vazio.

Ah, mas a matemática nos diria que vazio não se preenche com outro vazio. Mas quem disse que a matemática sabe de amor? Eram dois vazios se enchendo, um com outro, apenas com aquele toque, com aquele ritmo, com aquela dança...

O mundo poderia parar, diriam os mais poetas. Eu vos digo, ele estava parado, olhando aquele casal de vazios milagrosamente se enchendo, ouvindo aquela suave melodia que tocava, sentindo aquele amor que subia.

Ah mas eram vazios solitários, diria um racional. Eu então lhes pergunto. Desde quando a razão entende de amor? hahaha, a razão entende de matemática meu filho! Solidão a dois, era essa a solidão de ambos Eram só os dois, ao som de uma musica lenta e inebriante, dançando num ambiente perfumado de lirios e presenteado com um luar.

Eu sei que você, meu caro leitor, deve estar perguntando aonde que estava a acontecer tal magia. Te respondo, portanto, Quê importa? Havia amor, respostas então se tornam desnecessárias e questões menos ainda.

Então é piegas? Deixe ser piegas, meu amigo leitor. Não sou nenhum Garcia Marquéz para descrever esse momento pormenorizadamente e maestricamente. Não sou nenhum entendido de amor. Sou apenas um sonhador, meu caro amigo, que agora estava a sonhar com o outro lado da sua solidão, o outro lado da sua tristeza, o outro lado do seu amor.

Só isso.