1.2.06

Oscar e o Cinema Nacional

As indicações foram dadas e o Brasil mais uma vez ficará de fora.

2 Filhos de Franscico veio como o novo boom do cinema nacional. Patrocinado pela Globo Filmes, o filme retrata a história de uma dupla sertaneja popular do centro-oeste brasileiro e sua luta para se tornarem ricos e famosos. Batendo todos os recordes de bilheteria, foi pré-selecionado como o representante do Brasil para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. E a tão sonhada indicação não veio.

E não veio merecidamente. Com tantos bons roteiristas por ai de plantão e com tantos projetos idependentes de qualidade rondando o underground cinematográfico nacional, a Globo Filmes patrocina um projeto extremamente clichê de filme, que apenas leitura da sinopse bastaria ao telespectador para descobrir seu misterioso roteiro e desvendar seu desfecho. Não, realmente não merecia a indicação. Indica-lo seria um retrocesso crítico grande da academia.

Se o Brasil algum dia sonha em ter algum Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na bagagem, deve parar de patrocinar projetos rídiculos que usam as mesmas fórmulas das novelas e passar a experimentar o novo, o ousado. E para faze-lo não precisa de muito. Encontrar um cineasta com boas idéias hoje tá se tornando cada vez mais fácil devido ao aumento de número de cursos de cinema no país. Atores de qualidades produzimos aos montes. O dinheiro está nas grandes coorporações televisivas(como a Globo). O público está crescendo cada vez mais devido à melhora substancial que o nosso cinema vem tendo ao longo da década. Só falta a vontade de uma Globo Filmes de parar de patrocinar filmes rídiculos como os da Xuxa e do Didi e investir em cinema de qualidade.

Pena que a essa vontade ainda não existe. É triste ver todo nosso potencial jogado fora para fazer filmes medíocres como Olga e 2 Filhos de Franscisco. É dramático saber que milhões de reais são gastos para produzir um filme de Didi enquanto outros filmes de uma qualidade invariavelmente superior são deixados de lado, e, às vezes, não saem nem do papel apenas por não fazerem parte da "fórmula mágica" de atrair público e dinheiro da Globo.