4.1.06

Aros Pretos

Caminhava solitário por aquele shopping lotado. Estava indo ao encontro de um amigo que morava próximo ao shopping. A sua cabeça estava absorta em pensamentos inúteis e seu coração massacrado por sentimentos inválidos. Se perguntava o tempo todo por que não conseguia mais escrever. Por que a poesia que fluia tão sutilmente e com tanta facilidade pelas suas mãos já não fluia mais. Será que eram seus sentimentos, agora frios? será que era porque ele deixara de acreditar no amor?

Seu relacionamento estava desgastado e sabia que iria terminar com ela. Achava que amava ela e que com ela se casaria, mas o tempo mostrou que esse pensamento era equivocado e que eles não eram tão feitos um para outro como pensava. Brigas, desentendimentos, frieza, incompreensão marcaram esse relacionamento de tal forma que o término era latente. Não havia mais jeito de continuarem desse jeito. Esperava apenas que ela entendesse que era melhor para ambos e que continuasse amigos, pois apesar do fracasso amoroso e das brigas conversavam muito e tinham criado uma intimidade dificil de ser rompida apenas com o fim de um namoro.

Absorto nesses pensamentos notou uma pessoa vindo em direção contrária. Seus olhos se sentiram atraídos por aquele aro preto e aquele jeito de andar. Ela também o olhou. E por um tempo indeterminado se olharam. Parecia a eternidade o olhar dela. Era um olhar forte e belo. Se sentiu tão encantado com esse olhar que seus olhos foram atraidos, tal qual imãs para os olhos dela. Sentiu que estava hipnotizado e que seu corpo agora já não obedecia mais o seu cérebro, apenas aquele olhar. Se aproximou dela, enquanto andaram. Sentiu que ia beija-la. Quando estava tão próximo dela que chegava a sentir a sua respiração, parou. Sua mente voltou ao controle. Estava atônito. Quem era ela? se perguntava. Cambaleou até o corrimão mais próximo e ficou ali, repassando na sua memória cada detalhe daquele olhar. Não sabia quem era ela, sabia apenas que ela merecia uma poesia.