7.12.05

O que quero

Desejo algo para escrever. Algo arrebatador, polêmico, lindo, complexo. Algo que os criticos vão ovacionar como a melhor coisa já escrita em todos os tempos. Algo que divertirá tanto crianças como adultos, gnósticos quanto agnósticos, negros como brancos. Algo que seja unânime, que a partir dele seja feito filmes que lotem cinemas, bata recordes de bilheterias e oscares.

Não quero nada clichê com aquele final feliz. Tem que ser algo surpreendente que o leitor, ao mesmo tempo que se emocione, se surpreenda. Não quero casaizinhos nem casos de traição. Novelas já estão cheias disso. Também não desejo nada daqueles casos de amor impossiveis que no final sempre acabam se tornando possiveis. Não! quero mais. Quero a imaginação, o horror, o amor, o ódio, tudo reunido em uma sequencia perfeita de caracteres e fatos.

Quero escrever sobre a vida como ela é. Analisá-la nos seus pequenos detalhes e descreve-la com a perfeição formal de Machado De Assis e o sarcasmo de Lima Barreto. Mas também não desejo ser de todo frio. Quero passar o lado poético e boêmio da vida através da minha escrita! ser um Vinicius de Morais em prosa. Mas a realidade poética ainda é pequena demais para mim. Quero que meus leitores viajem em um outro mundo, num mundo ficcional que existirá apenas em suas mentes e nas minhas linhas.

Sim, eu quero tudo isso. Mas antes, quero o amor para me inspirar! a boemia para experimentar, a imaginação para navegar, a erudição para fazer com que meus textos sejam, antes de tudo críticos e inteligentes. Sim, desejo que meus leitores flutuem num romance imaginativo, boêmio e inteligente para quando fecharem os livros, repensarem as suas vidas, refazerem seus conceitos e mudar. Mudar velhos conceitos hipócritas que ainda mantemos, mudar esse mundo tão triste e tão necessitado de mudanças, mudar as suas próprias atitudes afim de alcancarem a paz interior e exterior.

Só quero isso.