1.8.05

Nota Fúnebre

Venho neste texto prestar as minhas sinceras condolências à morte de uma das maiores virtudes do século XX. A Rebeldia.

Nascida sob o ventre do blues e do soul americano na década de 50, nossa amiga viveu entre os solos de guitarras intermináveis e passos de dança ousados. Participou ativamente das mudanças de conceitos numa sociedade que a anos vivia estática. Se embebedou e se drogou nos movimentos pela paz em grandes shows que criticavam a injusta Guerra do Vietnã, foi testemunha viva da maestria do Senhor Hendrix na guitarra, estave nua nos grandes movimentos hippies em prol das liberdades sexuais. Enlouqueceu diante dos vocais agudos e de solos executados pelo "louco" rock progressivo. Vestiu preto na ascensão do Ozzy e da sua música "endemoniada" denominada de "Metal Pesado" e esteve nos seu grandes festivais que criticavam a alienação religiosa. Passou pela América Latina, e ajudou um jovem argentino a tentar levar um pouco mais de igualdade social para o continente. Esteve no Brasil também e lutou contra a opressão ditatorial que aqui vingava, levando estudantes as ruas para acabar com o famoso A.I 5 e ainda teve tempo de inspirar os Mutantes a fazerem um rock muito a frente de sua época, e ajudar um bahiano simples a ser um dos maiores rockeiros do seu tempo. Passou ainda pela Inglaterra, terra de um dos seus maiores ídolos, e ajudou bandas como o The Clash e o Sex Pistols a fazerem um rock muito diferente de tudo aquilo que fora feito, um som que criticava, desde os arranjos ás suas letras, todas as instituições politicas e valores da época. Clamando a anarquia.

Ah Rebeldia como era bom o seu tempo. Pena que fizera um inimigo muito poderoso. O Capitalismo. Esse assasino que quando se viu ameaçado tratou logo de esmaga-la friamente, conspirando com os meios de comunicação em massa e os puritanos conservadores para transformar o rebelde em doente e trocar toda aquela ideologia de mudança pelo consumismo exarcebado(este não propões mudanças) e pela apoliticação juvenil. Transformando o que um dia fora atitude em comodismo. Destruindo de vez os sonhos de uma geração.


Matando assim a nossa querida heroína e deixando-a apenas uma cova, escondida, sem uma única flor, ou nota fúnebre no cemitério do esquecimento e da utopia.

Rebeldia (1955 - 1991)