10.3.05

Conto da Criação

Era tudo trevas, fogo e um péssimo odor de enxofre, neste planetinha a vida era impossível e o amor, simplesmente não existia, só havia trevas, tristeza e ódio. Num belo dia cósmico, alguém gritou lá de cima:
- Que se faça a Luz!
(eu sei que vocês já conhecem essa estória, mas vou contar-lhes outra versão, a verdadeira).
A luz, bonita, prendada e muita querida cósmicamente (além de ser amiguíssima do senhor Sol), não queria ir iluminar aquele planetinha, que além de feio, não cheirava bem e o pior, não tinha amor, nem uma gotinha! Fato este que deixou A Voz numa situação complicada como poderia haver vida naquele planetinha, sem luz?? Se questionava. Ela sabia que a luz, apesar de bela e de ser muita amiga dos seres cósmicos, era teimosa, indecisa (afinal, por vezes se comportava como molécula em outras, como onda), além de ser bastante apressada(viajar a 300 mil kilômetros por segundo, não é para qualquer um!), o que deixava uma missão impossível, leva-la até aquele planetinha, a força, sem ao menos, dar amor áquele lugar.
Decidiu então apelar para a bela Vênus, planeta do amor. Apesar de ter alguns probleminhas com ela, pois ela amava muito o silêncio, e sua relação com este, não era boa, o que causava algumas discussões chatas com a ela, mas como ela era o planeta do amor, talvez desse uma força. Então a Voz se aproximou dela e soltou um grito:
- Que se faça o amor naquele planetinha!
Vênus olhou para a voz, e se surpreendeu com tamanha petulância desta! Ora!? Como pode!?? Todo mundo sabia que o amor nascia e morava no silêncio, na paciência, na tolerância e não no imperativo! O máximo, que talvez, a Voz conseguiria para esse planetinha, era um amor fraco e sem vida, que logo se quebraria, correndo o risco, até mesmo, do Ódio tomar conta dele. Assim ela virou a cara e se recusou a fazer o amor naquele planetinha feio, minúsculo que ainda por cima, cheirava mal.
A Voz então se preocupou, O que seria daquele pobre planetinha?? Se a luz e o amor não chegassem lá logo, o Ódio e as Trevas dominariam aquele pobre planetinha. E o Ódio era um cara mal, que gostava da Destruição e era amiguíssima da Vingança, e vez por outra, estes três se juntavam para tentar destruir os resquícios de luz e amor dos outros planetinhas.
O problema era grave, tão grave que quase (quase mesmo) que a voz deixou de ser voz para se transformar em lágrimas, deixando o universo mudo e triste, a nossa salvação foi à última e forte vontade que teve de olhar novamente aquele planetinha desolado e triste.
Ao olhar, foi surpreendido com uma rosa esverdeada, que nunca vira antes que havia nascido bem ali, na mais alta das montanhas do planeta, essa rosa tinha uma característica interessante, as suas pétalas refletiam todo o universo, era tão impressionante e tão magnífico, que dela as trevas fugiam, e tão linda que várias estrelas decidiram colar naquele céu junto com o seu Azul, e algumas nuvens que passeavam por ali, para ficarem apenas observando-a, tão encantadora, que a Dona Lua(até então sem ter onde morar) decidiu morar na órbita daquele planetinha apenas para ficar olhando-a e contemplando aquela beleza rara, e rosa ela tinha tanto mais tanto amor, que fez a Luz trabalhar em dobro naquele local, iluminando e aquecendo o suficiente para que a vida, naquele lugar abençoado, fosse possível.
O nome da rosa era Terra, e decidiram batizar aquele planetinha do mesmo nome da rosa, essa idéia foi da Voz, Vênus ficou surpreendida também, e por vezes, aparece no céu à noite(ela é tímida) para ficar olhando aquela rosa. Essa rosa ainda existe no pico mais alto do nosso planeta, pena que esteja morrendo.

ps. E ainda tem quem acredite que a Terra foi criada em 7 dias, tsc tsc.