24.12.04

Noite de Natal

Era natal, e como todo o natal, há mais de 10 anos, passaria sozinho. Tratou então de arrumar uma pequena seia, abrir um bom vinha tinto, colocar presentes que ele mesmo havia comprado na arvore de natal, para se dar, fazia isso como uma forma de se lembrar da infancia, e de toda aquela magia de não saber o que se vai ganhar antes da meia-noite, é claro que não havia tanta empolgação desse jeito, mas pelo menos dava para disfarçar um pouco a solidão, e a tristeza que invade seu coração, sempre nessa epoca do ano. Decidiu dá uma volta pela cidade, afinal, ainda não era meia-noite, foi para o shopping mais próximo, e viu dezenas de pessoas andando para lá e pra cá, crianças gritando, querendo ver o tão querido papai noel, várias pessoas desejando feliz natal, umas as outras, e ele ali, sozinho novamente, se sentia excluido de certa forma desse espirito contagiante, que apenas lhe fazia ter vontade de chorar de solidão, do shopping, foi a praça que ficava umas tres qadras de seu apartamento, ele sempre gostou dessa praça, porque nela, na maioria das vezes, não havia ninguém, e lá ele podia refletir sobre a vida e sobre as historias que escrevia, e até mesmo escrever sobre mundos e pessoas estranhas presentes apenas em sua imaginação, esse lugar o marcava e lhe fazia um bem imenso, era talvz, o unico lugar que não se sentia tão sozinho, sentou e ficou ali, contemplando a beleza da lua contrastando com as luzes da cidade, o que dava um tom um tanto quanto romantico, lembrou dos seus fracassos amorosos, e de toda a dor que guardava por causa das mulheres que passaram em sua vida, e por um momento, uma lagrima percorreu o seu rosto, e ele teve uma imensa vontade de desaparecer.