6.5.06

Deus também é do rock'n'roll

Sentia-se no ar. Era noite de rock'n'roll. A chuva que caira no outro dia ainda me colocava um pouco de medo, mas ontem foi uma daquelas noites em que Deus decidiu colocar uma bandana na cabeça, uma camisa do Elvis, puxar um cigarro e vir de moto para Natal. Porque ontem foi noite de rock'n'roll dos melhores.

A noite começou com a banda acriana, Los Porongas e seu estilo meio hardcoriano que atraiu e contagiou uma boa quantidade de pessoas para o local, apesar de ser a primeira banda. Deveria seguir-se então Zeferina Bomba da Paraíba, mas eles não vieram. Sobrou pro The Automatics daqui mesmo de Natal, maestrar com um bom rock'n'roll aquela noite. Mas infelizmente não os vi. Porque a irmã do rock'n'roll me chamara para o seu templo. E fiquei lá, "balançando o esqueleto" ao som daquela batida eletronizada e não menos contagiante. Mas a noite mesmo era do rock'n'roll.

Sob gritos ensandecidos e com um estilo que faz jus a verdadeira definição do bom e velho rock'n'roll, Revolver subiu ao palco. Resultado, milhares de pessoas dançando sob aquele som já conhecido por muitos e enlouquecidas com o estilo da banda. Nesse momento tive certeza da minha primeira afirmação, era realmente a noite do rock'n'roll. No show de Reação em Cadeia e Cabaret, fui restituir minhas forças porque ainda não haviam tocados Os Bonnies e Cachorro Grande. E quando eles tocarem, ai sim meus colegas, a perdição iria ser total.

Daniel Belezza e os Corações em Fúria contaram com uma presença de palco de dar inveja a qualquer outra banda grande desse país. Contagiram o público e os fizeram dançar até não sentirem mais as suas pernas. Sentia-se neles o espírito do verdadeiro ritmo libertador de mentes que anos atrás mudara totalmente os valores sociais. Mas o pior(melhor) ainda estava por vir. Os Bonnies subiram ao palco e realmente me fizeram acreditar que só o rock liberta. Cantando hits já conhecidos por muitos e com um estilo "rockabilitiano", conseguiram atrair um público ensandecido que clamava mais e mais por aquele rock'n'roll, porque hoje, se olhassem bem, encontrariam até mesmo o bom e velho Deus com a sua camisa do Elvis, seu Rayban e seu cigarro na boca, cantando e dançando aquilo que Ele permitiu que os homens criassem.

Mas para completar a noite e fechar aquilo tudo com chave de ouro, faltava ainda os "Strokes brasileiros"(como definiu um amigo). Tá, o preço era caro, tinha ainda que aguentar Pitty e suas musiquinhas pré-adolescentes. Ah vai, era justo e até que o instrumental dela é bom. Aproveitei para dar-me um segundo intervalo. E nesse meio tempo me deparei com uma pergunta um tanto curiosa. "Porque vocês não estão no show de Pitty?" em uníssono eu e mais uns 4 desconhecidos, "Haha, porque a gente quer é CACHORRO GRANDE!".

Nosso pedido então se concretizou. Carla Lamarca subiu ao palco para anunciar. Eram eles, Cachorro Grande. Vieram sob a insanidade total do público. E no momento que subiram os 5 integrantes, eles se tornaram deuses. As guitarras malucas e o vocal rasgado fizeram da segunda noite do MADA inesquecível. Mais inexplicável ainda foi a sensação de estar ali, no seio daquele ritmo dançante, cantando ensandecido "Lunático? Que se FODA!". A única coisa que queríamos era mais daquelas guitarras, mais daquele vocal e também a Cleptomaníaca de Corações que infelizmente não apareceu por ali. Mas fica aqui, registrado como minha única objeção ao show do Cachorro Grande. Fora isso, foi perfeito. Fecharam com chave de ouro a segunda noite do festival.

Mas isso foi apenas a segunda noite. Hoje terá Nando Reis e Biquine Cavadão, além de Cansei de Ser Sexy, Relespública, Moptop... Será que Deus vai aparecer denovo por lá? Afinal, a verdade é. Deus, além de brasileiro, é rockeiro também. Dos mais loucos eu diria...