24.1.06

A Moça e o Louco

Olhos verdes claro, olhar sutil e leve. Corpo perfeito. Lindas pernas morenas. Rosto arredondados e cabelos cacheados que caiam sobre sus olhos. Boca farta e rúbea. Estava ela, na minha frente. Me olhando com aquele olhar sério e indagador. E eu a contemplando, sentindo a sua beleza contrastar com a minha feiura. Não ouvia o que ela dizia, ahh nem queria ouvir, queria ficar ali vendo sua boca dançar perto da minha, não me importa se era reclamação, não me importa o que era, o que importa era a sua boca ali, dançando perto da minha, seus olhos ali, a encarar minha pobre feiura.

Senti vergonha, medo e admiração ali parado. Vergonha de estar na frente de tal beleza e não poder ser igualmente belo. Medo do que estavam pensando ou do que iam pensar ao ver ela ali, falando comigo. Admiração máxima pela sua beleza ímpar.

Não vá moça, fique aqui do meu lado. Deixa eu te olhar. Deixa eu te admirar. Não se afaste com essa cara de zangada. Não moça. Não vá. Não sei o que será de mim sem a sua beleza para olhar a partir de agora. Não sei. Queria poder ser igualmente belo, queria poder te dirigir a palavra sem me sentir envergonhado, queria que você ficasse aqui só por mais uns segundos. Agora você já foi e o que me resta são apenas lembranças.

Não, vou te seguir, irei aonde você for. Meu trabalho já não importa mais. Nada já me importa. To entrando no carro. Você estava num vermelho, sei bem qual é. Vou te acompanhar até em casa para poder te ver uma última vez. Ali, te achei, nem foi tão dificil. Não ande tão rapido moça, não precisa disso. Não quero saber, vou te seguir, vou acelerar. Não passe no sinal vermelho... Passei também, nada me importa agora, só você. Olha o caminhão moça, não... Por pouco. Por que você não para? por que você não olha para mim? Não... sou muito feio, o que estou fazendo? não te mereço.

Sem você, não quero viver. Como vou viver agora sem mais poder te olhar nos olhos. Não moça, não. O carro...

Porteiro sequestra mulher de um condominio em São Paulo e bate de frente num carro de passeio. Todas as pessoas morreram.