23.5.08

Não quero que me leiam
quero que me sintam
Não são todas que admiro
mas são poucas que me tiram o ar.
sou o que procura a razão
dentro dessa embriaguez perdida
a paz dentro de uma guerra quente (ou fria)
a vida dentro de uma morte (súbita ou lenta)
sou incansável nessa busca
e poeta nas horas vagas;
Não admito
que profiram
uma sequer palavra
que não seja uma verso
ou uma ode de absoluto
torpor que contemple
o doce veneno que é
a nudez do teu corpo;

22.5.08

Tormenta

minhas certezas
viraram incertezas
ela passou
e destruiu tudo o que
viu pela frente,
envenenou meu sangue
com seus doces lábios,
arruinou os meus conceitos
apenas ao me olhar.
Fez-me experimentar o abismo
da perdição completa
com o moreno de sua pele
e o formato de seu corpo.
O torpor do seu sorisso
embriagou-me
e fez-me despencar
cego, surdo e mudo
sob seus belos pés;
rasguei as minhas
mais íntimas confidências
no escuro da nossa
nua e calorosa intimidade;
Tomou a longos goles
o que restava de minh'alma
deixando-me sedento.
e me abrigou no calor
de sua tempesatade
apenas quando ainda
lhe fui útil. Então
descartou-me ao relento
no meio de um mar em fúria
de sentimentos e paradoxos
sozinho e, pior, ainda
sem me recuperar da embriaguez
gerada. E deixou-me apenas
a caneta, para escrever-lhe poemas
sobre a força desta tormenta.
sou um mero pedaço
sobrevivente; testemunha
para contar aqui a história
de um furto qualificado
praticado por uma assaltante
de corações; periogosa
que pode estar à sua esquina
e te condenar a passar
o resto da vida
a escrever versos
doloridos e revoltados
e loucos de amor
que terão sempre como musa
a deliquente supracitada;
nem os sono
ela deixou escapar.
É uma senhora ladra.
meus versos já não tem mais título
nem muito menos voz
são resquícios roucos
de uma tempestade
que ainda não passou;
espero poder contar
sempre com a força
das tempestades
quando a minha vida
caminhar no relento
da estiagem
Os dias sem te ver
passam lentos e rastejantes
tornei-me dependente
da tua tempestade

19.5.08

sobrevivo
dentro
desse meu
paradoxo
Me acho
no calor
chamado
perdição;
Me perco
nesse escuro
chamado
solidão;

18.5.08

Oferta

Te levo para Natal
Lavo-te o corpo
Limpo as tuas feridas
Ouço os teus lamentos
Entrego-te sorrisos bobos
e melodias loucas
Te dou café e sexo
para acordar
Carinho e silêncio
para dormir
Ofereço os meus
dois ombros e os
meus braços, pernas
e cabeça
como teu suporte
tua fortaleza
Beijo-te o rosto
os olhos, a boca,
o corpo, faço de você
a minha vida,
o meu oxigênio,
o meu amor
o meu sustento
a cura
dessa minha
eterna solidão;
Ofereço-te o tudo
e o nada
os livros
as companhias
as risadas
os filmes chatos
e os mal entendidos
um pedaço de mim
o prazer
da nossa
eternidade efêmera
que nos
perseguirá

Terremoto

A terra treme
e me falta eixo
para me segurar;

A terra treme
denovo e me faltam
pernas para me sustentar

A terra treme
e me falta corpo
para aguentar

A terra treme
(...)
me falta ar
para respirar

12.5.08

Revolto-me com a cor de sua pele
o calor do seu sorriso
e a tentação do seu corpo;

Revolto-me porque não me contenho
porque cedo
porque na sua presença
eu não passo
de um pobre-diabo
metido a poeta;

9.5.08

Sufoco

posso te dizer
as mais belas palavras
e declamar
os mais belos versos
se todos eles
não estivessem engasgados
na minha garganta.
estou imerso
num mar
de sentimentos
paradoxos

imerso
num mar
entre
a dor e o prazer

imerso
no mar
entre
a poesia e a prosa

no mar
entre
o sexo e o amor

no mar entre
a razão e a emoção

entre o que eu quero
e o que eu sinto

estou imerso
me afogando
quase morrendo
vítima
do seu furacão

Ao meu Furacão

Ela
me deixa sem pernas
sem ar
sem forças
sem juízo
o seu sorriso
é tudo que quero;
a sua alma
é meu paraíso;
e o seu corpo
(...)
a minha
perdição;

5.5.08

Te dou café, carinho e roupa lavada
Te dou carinho, café e roupa lavada
Te dou roupa lavada, carinho e café

Te dou café e carinho
Te dou carinho e café
Roupa lavada fica pra depois

Te dou carinho
O café pode esperar
E a roupa lavada fica pra mais tarde;
Rebelou-se com os mandos e desmandos da razão
Invocou-se com tudo aquilo que ela lhe tinha feito
Decidiu tomar as rédeas
Proclamar uma guerra
Sou eu que mando
nesse coração
e nesse corpo
e a partir
de agora
ele só
sente
mento

1.5.08

A las miñas amiguitas
lhes digo
em portunhol
ou espanhês

No quiero las suas mãozitas
pero que si
quiero seus corazóns
Esse é um poema
sem versos
sem rimas
sem ritmo

É um poema
despretensioso
engraçado
e descuidado

Que não quer
mudar o mundo
quiçá a poesia
é apenas um poema

Não é daqueles
que falam de mulheres nuas
nem de mulheres bonitas
nem de mulheres distantes

Aliás, nem de mulher
esse poema quer falar
Ele é um poema
temperamental.
Sou um pobre diabo
metido a poeta;