Na periferia, diziam que José foi um anjo. Tinha um humilde emprego de zelador num prédio luxuoso em Ponta Negra que, apesar de tudo, dava para dar de comer para os seus dois filhos pequenos e ainda ajudar a assistir o seu tio, um velho senhor doente, que "vivia" de INSS e de SUS. Perdera a mulher fazia um ano. Ela morreu de câncer. O pessoal do bairro achava que ele, assim como os outros homens, iria se entregar à bebida e à prostíbulos. Mas não. Cuidava dos seus filhos com amor e carinho, mesmo carecendo de dinheiro algumas vezes.E sempre, aos domingos, me levava junto aos seus filhos à praia e jogava futebol conosco com aquele jeitão desengonçado. José tinha apenas dois defeitos: fumava muito e, às vezes, era inconsequente. Sempre fora honesto.
Lembro bem daquela tarde de outono, em um dia 12 de algum mês que me falha a memória. José chegou em casa com os olhos cheio de lágrimas, não com o sorriso habitual que sempre chegava. Pude ver enquanto brincava com seus filhos. Descobri depois que ele houvera sido demitido daquele prédio de bacana porque o sindico novo precisava cortar gastos. Fiquei sabendo também que recebera algum dinheiro extra, mas segundo as suas contas não daria para mais de 2 meses. Depois da tristeza veio então a época da banca. José estava sempre lá na banca do Seu Zeca com um café numa mão e o jornal na outra, circulando as propostas e depois indo atr´s delas. Conseguia alguns bicos0 de vez em quando, mas nada efetivo. Passaram 3 meses e nada. Segurou por mais 4 meses e ainda não havia conseguido trabalho. Seis meses se passaram e José teve que vender a sua casa para pagar a mercearia do Seu João onde ele comprava fiado. Seu tio morreu ao final do oitavo mês e ele ainda estava desempregado.
Passados 12 meses ele estava na mais completa miséria. Às vezes eu ia visita-lo com minha mãe para doar-lhe um saco de feijão e outro de arroz. Via a casa simples que ele morava, tinha apenas um cômodo onde durmia ele e seus filhos, além de uma panela velha e uma dispensa sem nada. José agora não tinha mais aqueles olhos sorridentes nem aquela fisionomia brincalhona. A tristeza e a falta de esperança o marcou, era triste vê-lo assim. Aí veio a queda. Frustrado ao ver o estado dos seus filhos e a sua própria magreza, pegou uma arma velha que fora do seu tio. Sua única herança. Esperou a noite cair e traçou seu plano maquiavélico. A noite veio. Foi até o mercadinho que existia perto do seu barraco. Arrombou a porta. Olhou e percebeu que ninguém tinha visto. Entrou, pegou uma sacola e colocou tudo o que viu de comida pela frente. Era biscoito, pão, bolo, carne, arroz, feijão. Encheu duas sacolas. Colocou-as perto da porta. E quando foi sair ouviu um estrondo e viu uma luz. Assustado deu um tiro para cima e tentou correr com uma das sacolas. Quando ia saindo, ouviu mais um estrondo e caiu desfalecido por sobre o chão frio. José estava morto.
No outro dia, via a noticia no jornal. Dois homens orgulhosos de sua proeza de defender os seus bens portando armas, era a foto. Na manchete lia-se "bandido é morto em tentativa de roubo". E eu então fiquei pensando. José era mesmo um bandido?
Ps. Algumas correções foram feitas. Da primeira vez que postei, estava cheio de erros.
24.10.05
16.10.05
Ela me olhou com lagrimas nos olhos, beijou a minha testa e disse:
- Eu não voltarei mais.
Fechou a porta, levando consigo os resquícios de meu amor, as suas fotos, as suas roupas que cheiravam a mel, que me derretia cada vez que eu as tirava. Levou consigo o seu olhar que me deixava louco e me fazia sentir que eu era amado. Ela levou consigo todas as pequenas coisas e todo o castelo que construir para gozarmos o nosso amor.
Fui até a cozinha, os meus olhos já não seguravam as lágrimas que escorriam sobre a minha pele, me fazendo sentir como uma criança. Peguei o uísque que estava na geladeira. Não me detive, abri-o e fiz escorrer seu doce leite por entre a minha boca de uma vez só. Fui ao meu quarto, peguei a única foto que não a deixei levar. Fora tirada no auge do nosso amor quando não tínhamos feridas a se tocar, nem dores a se lamentar. Quando ainda éramos amantes. Em prantos Rasguei-a e gritei até não ouvir mais a minha voz.
Caído no chão, acordei e ela não estava lá para me colocar sobre a cama, para cuidar de mim com tanta delicadeza que só ela sabia fazer. Tomei um banho rápido vesti uma roupa surrada, suja. Peguei minha carteira. Sai de casa. Fui ao harem mais próximo e gastei todo o meu dinheiro, todo o meu amor e toda a minha dor naquelas mulheres procurando-a, mas ela não estava lá. Voltei para casa sujo, empodrecido com aquilo que tinha feito. Pensei em ligar para ela, pedir desculpas, falar que só ela me consola, falar que ela era o amor da minha vida, mas não quis e por um instante pensei em tirar a minha própria vida. Fui então novamente à cozinha, peguei outra garrafa de uísque e senti-o escorrer novamente pelos meus lábios, pela minha garganta pelo meu estômago. Tudo girou. As lagrimas não paravam de cair, já não me segurei, liguei para ela, pronunciei meia dúzia de palavras sem sentido, ela desligou na minha cara falando para eu não mais procurá-la. Meu coração disparou. Lembranças de tudo que foi bom e também de tudo que foi ruim passaram pela minha mente.
A ela dediquei toda a minha poesia, toda a minha bebedeira, todo o meu corpo. Por ela morri.
- Eu não voltarei mais.
Fechou a porta, levando consigo os resquícios de meu amor, as suas fotos, as suas roupas que cheiravam a mel, que me derretia cada vez que eu as tirava. Levou consigo o seu olhar que me deixava louco e me fazia sentir que eu era amado. Ela levou consigo todas as pequenas coisas e todo o castelo que construir para gozarmos o nosso amor.
Fui até a cozinha, os meus olhos já não seguravam as lágrimas que escorriam sobre a minha pele, me fazendo sentir como uma criança. Peguei o uísque que estava na geladeira. Não me detive, abri-o e fiz escorrer seu doce leite por entre a minha boca de uma vez só. Fui ao meu quarto, peguei a única foto que não a deixei levar. Fora tirada no auge do nosso amor quando não tínhamos feridas a se tocar, nem dores a se lamentar. Quando ainda éramos amantes. Em prantos Rasguei-a e gritei até não ouvir mais a minha voz.
Caído no chão, acordei e ela não estava lá para me colocar sobre a cama, para cuidar de mim com tanta delicadeza que só ela sabia fazer. Tomei um banho rápido vesti uma roupa surrada, suja. Peguei minha carteira. Sai de casa. Fui ao harem mais próximo e gastei todo o meu dinheiro, todo o meu amor e toda a minha dor naquelas mulheres procurando-a, mas ela não estava lá. Voltei para casa sujo, empodrecido com aquilo que tinha feito. Pensei em ligar para ela, pedir desculpas, falar que só ela me consola, falar que ela era o amor da minha vida, mas não quis e por um instante pensei em tirar a minha própria vida. Fui então novamente à cozinha, peguei outra garrafa de uísque e senti-o escorrer novamente pelos meus lábios, pela minha garganta pelo meu estômago. Tudo girou. As lagrimas não paravam de cair, já não me segurei, liguei para ela, pronunciei meia dúzia de palavras sem sentido, ela desligou na minha cara falando para eu não mais procurá-la. Meu coração disparou. Lembranças de tudo que foi bom e também de tudo que foi ruim passaram pela minha mente.
A ela dediquei toda a minha poesia, toda a minha bebedeira, todo o meu corpo. Por ela morri.
13.10.05
Quando fecho os olhos.
Quando fecho os olhos
vejo você
olhando o nada
e pensando o tudo
Quando fecho os olhos
sinto a tua a tua boca
beijando a minha
me provocando
Quando fecho os olhos
ouço a sua doce voz
me contando segredos
dizendo que me ama
Quando fecho os olhos
sinto o seu corpo
junto do meu
dancando
Quando fecho os olhos
vejo você
olhando o nada
pensando o tudo
vejo você
olhando o nada
e pensando o tudo
Quando fecho os olhos
sinto a tua a tua boca
beijando a minha
me provocando
Quando fecho os olhos
ouço a sua doce voz
me contando segredos
dizendo que me ama
Quando fecho os olhos
sinto o seu corpo
junto do meu
dancando
Quando fecho os olhos
vejo você
olhando o nada
pensando o tudo
Vem
Vem.
Me desestabilize.
Acabe com a minha noção.
Do jeito que só você sabe fazer.
Beije.
Me Encante.
Destrone os meus sentidos.
Faça da sua boca o ópio da minha razão.
Toque.
Me destrua.
Desmorone a moral.
Una-se com meu espirito.
Olhe.
Me engula.
Estrangule a minha calma.
Faça de mim seu objeto de desejo.
Mas ame.
Sem sentidos
Sem razão
Sem noção
Só assim seremos completos.
Me desestabilize.
Acabe com a minha noção.
Do jeito que só você sabe fazer.
Beije.
Me Encante.
Destrone os meus sentidos.
Faça da sua boca o ópio da minha razão.
Toque.
Me destrua.
Desmorone a moral.
Una-se com meu espirito.
Olhe.
Me engula.
Estrangule a minha calma.
Faça de mim seu objeto de desejo.
Mas ame.
Sem sentidos
Sem razão
Sem noção
Só assim seremos completos.
8.10.05
A Carta
- Ele vai responder!
Repetia isso sozinho, enquanto escrevia uma carta para aquele que era responsável, durante longos 8 anos, pelos seus presentes de natal.
A caneta parecia dancar por sobre o papel, desenhando aquela letra graúda e cheia de garranchos de um menino negro que, apesar da pobreza, era um gênio na arte de desenhar. Sua mão fabricava aquilo com tamanha concentração e fé, que nem seus pais ousaram interrompe-lo para o jantar. As vezes sua mãe, uma mulher alta e de olhos que iluminavam tudo aquilo que via e com uma voz suave e doce, de cor azul e sentimentos sublimes, entrava no quarto e ficava ali, a observar o seu querido filho imerso naquele trabalho sem precedentes. Imaginava o seu futuro como, talvez, um escritor famoso que venderia inúmeros best-sellers. E ficava lembrando dos seus tempos de menina, dos seus tempos de cartinhas para o papai noel. Bons tempos aqueles.
- Acabei! gritou o menino. Ele tomou a o papel em suas mãos, releu cuidadosamente, colocou-o no seu envelope azul, comprado na papelaria do lado, e guardou em cima da sua pequena janela.
Ele, notando que a mãe estranhara aquela atitude, disse ao seu ouvido:
- Ele vem aqui esta noite! pediur para eu colocar essa carta em cima da janela do meu quarto, fechar os olhos e esperar que ele vinha buscar.
A mãe olhou carinhosamento para o seu filho, deu-lhe seu pijama e foi terminar de arrumar a mesa, para ir se deitar com o marido.
Horas depois lá foi ela dar o ultimo beijo em seu filho, abriu devagarinho a porta do quarto, encontrou-o estirado sobre a cama, com aquela cara angelical que só as crianças sabem fazer quando estão durmindo. Aproximou-se da janela, de olho fixo na carta. Pegou-a. Abriu devagarinho, imaginando o que tivesse escrito. Leu. Caiu em prantos.
Não entendia como aquele menino tinha tamanha consciência. Seu pedido era simples. A cura da sua mãe, que padecia de uma dorença rara e em alguns poucos dias, iria falecer. Ela havia se esforçado tanto para manter aquilo tudo em segredo, não sabia como ele tinha descoberto. Sua lágrimas não paravam de cair silenciosamente, percorrendo aquele rosto bonito e enfermo que a natureza houvera lhe dado. Sua mãos tremiam e sentiam que a cada segundo, o sopro vital daquele corpo de 25 anos se esgotavam lentamente. Soprei e desfiz aquele momento de inércia.
Ela então colocou a carta, enxarcada de suas lagrimas, no envelope azul e em seguida em cima da janela.
Antes de sair do quarto olhou, mais uma vez, a carinha do seu filho que, embriagado pelos seus sonhos, virava de um lado para o outro da cama mudando, por vezes, a expressão daquele belo rosto sonhador e inocente. Beijou-lhe o rosto com tanto amor que foi dificil, até mesmo para mim, segurar as lágrimas. Sabendo da minha tarefa, toquei então o seu ombro. Ela estremeceu, senti os arrepios de seu corpo. Virou-se assustada, porém conformada com que estava por vir. Notei que seus olhos se enchiam de lágrimas ao me ver. O brilho dos seus olhos estava tão intenso, que a minha tão simples tarefa, parecia mais um árduo trabalho. Peguei a carta e li lentamente ao seu ouvido, enfatizando as partes em que ele declarava um verdadeiro amor à sua mãe. Cumprindo o meu dever, peguei as suas mãos, e guiei-as para escrever o um bilhete. O Ultimo.
Repetia isso sozinho, enquanto escrevia uma carta para aquele que era responsável, durante longos 8 anos, pelos seus presentes de natal.
A caneta parecia dancar por sobre o papel, desenhando aquela letra graúda e cheia de garranchos de um menino negro que, apesar da pobreza, era um gênio na arte de desenhar. Sua mão fabricava aquilo com tamanha concentração e fé, que nem seus pais ousaram interrompe-lo para o jantar. As vezes sua mãe, uma mulher alta e de olhos que iluminavam tudo aquilo que via e com uma voz suave e doce, de cor azul e sentimentos sublimes, entrava no quarto e ficava ali, a observar o seu querido filho imerso naquele trabalho sem precedentes. Imaginava o seu futuro como, talvez, um escritor famoso que venderia inúmeros best-sellers. E ficava lembrando dos seus tempos de menina, dos seus tempos de cartinhas para o papai noel. Bons tempos aqueles.
- Acabei! gritou o menino. Ele tomou a o papel em suas mãos, releu cuidadosamente, colocou-o no seu envelope azul, comprado na papelaria do lado, e guardou em cima da sua pequena janela.
Ele, notando que a mãe estranhara aquela atitude, disse ao seu ouvido:
- Ele vem aqui esta noite! pediur para eu colocar essa carta em cima da janela do meu quarto, fechar os olhos e esperar que ele vinha buscar.
A mãe olhou carinhosamento para o seu filho, deu-lhe seu pijama e foi terminar de arrumar a mesa, para ir se deitar com o marido.
Horas depois lá foi ela dar o ultimo beijo em seu filho, abriu devagarinho a porta do quarto, encontrou-o estirado sobre a cama, com aquela cara angelical que só as crianças sabem fazer quando estão durmindo. Aproximou-se da janela, de olho fixo na carta. Pegou-a. Abriu devagarinho, imaginando o que tivesse escrito. Leu. Caiu em prantos.
Não entendia como aquele menino tinha tamanha consciência. Seu pedido era simples. A cura da sua mãe, que padecia de uma dorença rara e em alguns poucos dias, iria falecer. Ela havia se esforçado tanto para manter aquilo tudo em segredo, não sabia como ele tinha descoberto. Sua lágrimas não paravam de cair silenciosamente, percorrendo aquele rosto bonito e enfermo que a natureza houvera lhe dado. Sua mãos tremiam e sentiam que a cada segundo, o sopro vital daquele corpo de 25 anos se esgotavam lentamente. Soprei e desfiz aquele momento de inércia.
Ela então colocou a carta, enxarcada de suas lagrimas, no envelope azul e em seguida em cima da janela.
Antes de sair do quarto olhou, mais uma vez, a carinha do seu filho que, embriagado pelos seus sonhos, virava de um lado para o outro da cama mudando, por vezes, a expressão daquele belo rosto sonhador e inocente. Beijou-lhe o rosto com tanto amor que foi dificil, até mesmo para mim, segurar as lágrimas. Sabendo da minha tarefa, toquei então o seu ombro. Ela estremeceu, senti os arrepios de seu corpo. Virou-se assustada, porém conformada com que estava por vir. Notei que seus olhos se enchiam de lágrimas ao me ver. O brilho dos seus olhos estava tão intenso, que a minha tão simples tarefa, parecia mais um árduo trabalho. Peguei a carta e li lentamente ao seu ouvido, enfatizando as partes em que ele declarava um verdadeiro amor à sua mãe. Cumprindo o meu dever, peguei as suas mãos, e guiei-as para escrever o um bilhete. O Ultimo.
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