30.8.05

Outra história

Olhando no fundo daqueles belos olhos, Fransisco falou:

- Te amo.

Notou então que dos olhos dela brotaram duas lagrimas. E teve a sensação que por um momento ela havia desviado o olhar dos seus olhos. Subitamente ela entrou em pranto desesperado, caiu no chão e chorou sobre os seus pés, e ele sem saber o que fazer, abaixou carinhosamente e perguntou.

- O que houve?

Ela, enxugando as lagrimas na aba da camisa, respondeu:

- Não te mereço. Fiz coisas que nunca irá me perdoar se souber. Tive medo e agi errado, não sei se deve me amar com tudo isso.

Ele segurou nas mãos dela, e afetuosamente replicou:

- Você me ama?

Por um momento ele notou que os olhos dela haviam brilhado um brilho opaco, mas haviam brilhado.

- Não te mereço. Sou imperfeita demais. Foi tudo até agora tão lindo, tão mágico e agi de uma forma tão feia. Tá certo que tive medo de te perder. Não te mereço. Você nunca vai aceitar o que eu fiz com você, eu não mereço perdão e nem o seu amor.

Ele então beijou levemente os labios dela, e olhando no fundo de sua alma, insistiu:

- Você me ama?

As lagrimas então voltaram a correr por entre aqueles belos olhos, percorrendo lentamente aquele rosto juvenil e pálido de desespero, e desaguando nos braços dele que agora a abraçava com todas as suas forças.

Ela então empurre-lhe para longe, e foi-se abrigar no canto mais escuro do quarto, perto de onde durmiam e faziam amor. Ele a via e sentia nela a sua Deusa que enlouquecia na cama em seus momentos íntimos, o reflexo de todos os seus sonhos, a sua amada. Sentia vontade de gritar e dizer que nada mais importa além dela e que a amava o suficiente para superar qualquer coisa. Tinha vontade de arracar-lhe aquela roupa suja e abrigar o corpo dela no abrigo dos seus braços e limpar toda aquela dor. Ela então respondeu:

- Te amo do fundo do meu ser, mas te traí. Estou grávida.

Fechou os olhos, estava perplexo. Palavras, pessoas e imagens passaram na sua cabeça numa velocidade assustadora. Não sabia o que fazer, nem ao menos que palavras usar, as lágrimas perderam o controle e começaram a lavar aquele rosto. Sempre quis ter um filho, mas o destino havia sido cruel para com ele e o fizera estério. Sentiu-se traído pela pessoa que mais amava.

Ela sabia que ele era tolerante, que ele toleraria tudo menos isso, quantas vezes confiou cegamente nela deixando-a sair sozinha com as amigas, quantas vezes limpou as lagrimas que percorriam e usou da cumplicidade e do companheirismo para acolhe-la e protege-la de todos os males. Será que ele não soube amar? Será que faltou carinho? Trabalhava muito e muitas vezes não podia dar uma atenção maior para ela, afinal tinha que garantir-lhes o futuro. Tá certo que não havia sido totalmente fiel, e que por algumas poucas vezes fez sexo com outras poucas mulheres. Mas era nela que ele pensava, era ela que ele queria.

Abriu os olhos e viu o que não queria ver. Ela havia pegado o revolver que ficava na gaveta próxima a cama onde durmiam. Estava carregado. Ele ameaçou ir para tomar-lhe a arma, ela então gritou.

- Não venha! Não te mereço! Preciso fazer isso, só assim me livrarei desta dor que te deixei, não posso viver com você carregando esse peso e não posso viver sem você, sendo assim é melhor que isso tudo acabe logo por aqui mesmo!

Então se ouviu um estrondo. E ele caiu sobre o chão. Numa ultima tentativa ele havia tentado tomar a arma da mulher. Conseguiu e perdeu a vida por isso. Sabia que tinha apenas uma bala, e estava feliz por ter conseguido que ela não completasse aquela besteira. Ela caiu em prantos sobre o corpo estirado e ensaguentado dele. Nunca mais se ouviu falar dela.

Ps. O texto anteior acrescido com o final. Odeio finais tristes ;~ tenho que parar com essa mania

28.8.05

Olhando no fundo daqueles belos olhos, Fransisco falou:

- Te amo.

Notou então que dos olhos dela brotaram duas lagrimas. E teve a sensação que por um momento ela havia desviado o olhar dos seus olhos. Subitamente ela entrou em pranto desesperado, caiu no chão e chorou sobre os seus pés, e ele sem saber o que fazer, abaixou carinhosamente e perguntou.

- O que houve?

Ela, enxugando as lagrimas na aba da camisa, respondeu:

- Não te mereço. Fiz coisas que nunca irá me perdoar se souber. Tive medo e agi errado, não sei se deve me amar com tudo isso.

Ele segurou em nas mãos dela, e afetuosamente replicou:

- Você me ama?

Por um momento ele notou que os olhos dela haviam brilhado um brilho opaco, mas haviam brilhado.

- Não te mereço. Sou imperfeita demais. Foi tudo até agora tão lindo, tão mágico e agi de uma forma tão feia. Tá certo que tive medo de te perder. Não te mereço. Você nunca vai aceitar o que eu fiz com você, eu não mereço perdão e nem o seu amor.

Ele então beijou levemente os labios dela, e olhando no fundo de sua alma, insistiu:

- Você me ama?

As lagrimas então voltaram a correr por entre aqueles belos olhos, percorrendo aquele belo rosto e se encontrando nos braços dele que agora a abraçava fortemente , e ela empurrando ele para longe, foi-se abrigar no canto mais escuro do local. Ele a via e sentia nela a sua Deusa e o reflexo de todos os seus sonhos, sentia vontade de gritar e dizer que nada mais importa além dela e que a amava o suficiente para superar qualquer coisa. Tinha vontade de arracar-lhe aquela roupa suja e abrigar o corpo dela no abrigo dos seus braços. Ela então respondeu:

- Amo do fundo do meu ser, mas te traí e estou grávida.

Ps. o que acham que vai acontecer?

26.8.05

Marcos e o Vôo

- Então voe! gritou o homem de barbas cinzas, incrédulo com a audácia do menino.

Marcos era um rapaz teimoso, sabia que podia voar! Tendo essa certeza; pulou do teto de sua casa, teve a súbita sensação de vôo, mas derrepente uma força estranha puxou-lhe para baixo com tamanha intensidade que se sentiu sugado para o chão e acabou resultando numa fratura no braço esquerdo.

- Tá vendo rapaz teimoso! disse o homem de barbas cinzas com aquele ar de superioridade de adultos frustrados - Tá pensando que é o que? Gente não voa muleque.
Marcos teve vontade de gritar. Porém vendo que o homem de barbas cinzas teve razão decidiu sabiamente se calar e se deixar levar ao hospital para curar aquele braço enfermo.

Voltando do hospital Marcos decidiu estudar os motivos pelos quais o vôo não fora bem sucedido. Subiu até o telhado, estudou minunciosamente as telhas, sentiu o vento no rosto e tentou imaginar o que lhe fizera cair de modo tão brusco e tão forte no chão. Derrepente veio-lhe a solução!

- Sim! o vento! não havia vento o suficiente naquele momento!

Um sorriso de esperança brotou-lhe como nunca naquele rosto de apenas dez anos de idade. Decidiu chamar, com o braço enfaixado, o velho de barbas cinzas. Falou-lhe que havia descoberto o motivo pelo qual ele não houvera voado e que agora ele iria voar de verdade. O Velho, incrédulo, deu risada da cara do menino e topou ver a outra loucura.

O menino então subiu ao telhado, sentiu o vento com força batendo no seu rosto, era mais do que o suficiente para fazer-lhe voar além dos limites. Estudou o céu, viu que fazia um dia lindo e que volitar nessas condições seria perfeito. Imaginou o oceano visto de cima e os olhares incrédulos das pessoas. Se viu apertando a mão do Cristo Redentor, dando olá à Estátua da Liberdade, contornando o mundo todo por cima. Foi tudo tão real que lhe motivou a procurar o ponto mais alto do teto de sua casa. Percebendo que o menino estava indo longe demais o Velho desesperadamente gritou.

- Menino louco! não pule daí, está muito alto!

Mas era tarde. Marcos havia pulado. E no momento em que o Velho gritava ele estava sentindo toda a plenitude do vento batendo em seu rosto, não acreditava, estava mesmo voado. Via as pessoas lá de cima, sentia uma paz louca a invadir o seu ser. O que lhe motivou a dar piruetas pelo ar. Marcos estava experimentanto a felicidade completa. Pensou em fazer tudo aquilo que havia imaginado, mas algo lhe chamou a atenção. O Velho estava no chão chorando incessantemente. Ao se aproximar viu o motivo das lagrimas. Era o seu corpo, com a cabeça toda ensaguentada, sem vida. Não acreditava naquilo! não podia ser ele. Ora ele estava ali, logo ali em cima voando e vendo tudo aquilo. Esse não sou eu, pensou o menino. Tendo a certeza de que aquilo que estava deitado no chão não era a sua essência, partiu em vôo maluco pelo mundo.



Ps. Editado

15.8.05

Aquarela

Sabe-se lá!
É tão escuro mesmo.
Seu vermelho me fascina, sempre me fascinou.
Mas o cinza do meu medo, nunca me deixou...
Pois é.
To com disposição para apagar esse cinza, e com seu vermelho(e meu verde) fazer uma aquarela.
Sim! uma aquarela de cores sorridentes.
Deixemos de lado os cinza dos medos e os pretos da solidão!
Eles tiram toda a emoção.
Brinquemos de colorir nossas vidas, a minha com o seu vermelho e a sua com o meu verde!
Será muito mais divertido! talvez até mesmo diferentes das outras aquarelas que tentamos.
Apaguemos os marrons que macharam nossa aquarela
E vamos viver o mais completo vermelho e verde!
E se pudermos, faremos mais cores!
E invetaremos novas cores
E juntos, ninguém vai nos derrotar!

1.8.05

Nota Fúnebre

Venho neste texto prestar as minhas sinceras condolências à morte de uma das maiores virtudes do século XX. A Rebeldia.

Nascida sob o ventre do blues e do soul americano na década de 50, nossa amiga viveu entre os solos de guitarras intermináveis e passos de dança ousados. Participou ativamente das mudanças de conceitos numa sociedade que a anos vivia estática. Se embebedou e se drogou nos movimentos pela paz em grandes shows que criticavam a injusta Guerra do Vietnã, foi testemunha viva da maestria do Senhor Hendrix na guitarra, estave nua nos grandes movimentos hippies em prol das liberdades sexuais. Enlouqueceu diante dos vocais agudos e de solos executados pelo "louco" rock progressivo. Vestiu preto na ascensão do Ozzy e da sua música "endemoniada" denominada de "Metal Pesado" e esteve nos seu grandes festivais que criticavam a alienação religiosa. Passou pela América Latina, e ajudou um jovem argentino a tentar levar um pouco mais de igualdade social para o continente. Esteve no Brasil também e lutou contra a opressão ditatorial que aqui vingava, levando estudantes as ruas para acabar com o famoso A.I 5 e ainda teve tempo de inspirar os Mutantes a fazerem um rock muito a frente de sua época, e ajudar um bahiano simples a ser um dos maiores rockeiros do seu tempo. Passou ainda pela Inglaterra, terra de um dos seus maiores ídolos, e ajudou bandas como o The Clash e o Sex Pistols a fazerem um rock muito diferente de tudo aquilo que fora feito, um som que criticava, desde os arranjos ás suas letras, todas as instituições politicas e valores da época. Clamando a anarquia.

Ah Rebeldia como era bom o seu tempo. Pena que fizera um inimigo muito poderoso. O Capitalismo. Esse assasino que quando se viu ameaçado tratou logo de esmaga-la friamente, conspirando com os meios de comunicação em massa e os puritanos conservadores para transformar o rebelde em doente e trocar toda aquela ideologia de mudança pelo consumismo exarcebado(este não propões mudanças) e pela apoliticação juvenil. Transformando o que um dia fora atitude em comodismo. Destruindo de vez os sonhos de uma geração.


Matando assim a nossa querida heroína e deixando-a apenas uma cova, escondida, sem uma única flor, ou nota fúnebre no cemitério do esquecimento e da utopia.

Rebeldia (1955 - 1991)